O novo mapa da força econômica do Sertão da Paraíba; Sousa, Patos e Cajazeiras agora dividem o protagonismo com outras cidades

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Essa nova dinâmica não significa perda de relevância para Sousa, Cajazeiras e Patos, mas sim o surgimento de um Sertão mais policêntrico, com diferentes polos dividindo protagonismo e atraindo investimentos

Por: Luzimária Lucena

Por muito tempo, o Sertão da Paraíba teve seu eixo de influência concentrado em cidades de tradição consolidada como Sousa, Cajazeiras e Patos. Esses municípios, com sua rede de comércio, serviços de saúde e educação, infraestrutura e força política, funcionaram como polos indiscutíveis de referência para a população sertaneja. No entanto, o mapa da importância econômica e regional vem sendo redesenhado nas últimas décadas, com o avanço e a consolidação de cidades que antes orbitavam em torno desses centros. São Bento, Itaporanga, São José de Piranhas e Uiraúna são exemplos claros dessa transformação.

São Bento é um caso de sucesso notável. Sua vocação industrial, especialmente na produção de redes e artigos têxteis, não apenas gerou uma marca registrada nacionalmente, mas também construiu um modelo econômico sustentável, com forte base no empreendedorismo local e exportações que movimentam milhões de reais por ano. A cidade se tornou um motor econômico capaz de competir em geração de renda e arrecadação com municípios tradicionalmente mais populosos. Itaporanga, capital do Vale do Piancó, consolidou-se como um polo de comércio, serviços bancários e educação, atendendo a dezenas de cidades vizinhas e atraindo investimentos graças à sua posição estratégica e ao fortalecimento de setores como a construção civil e a agropecuária.
São José de Piranhas, impulsionada por obras estruturantes como a Transposição do Rio São Francisco, vive um momento de expansão urbana e diversificação econômica, com crescimento no turismo, no comércio e na prestação de serviços especializados. Uiraúna, por sua vez, fortaleceu sua vocação agropecuária e se destacou na área de saúde, ampliando a rede de clínicas e hospitais e atraindo pessoas de outros municípios.

Essa nova dinâmica não significa perda de relevância para Sousa, Cajazeiras e Patos, mas sim o surgimento de um Sertão mais policêntrico, com diferentes polos dividindo protagonismo e atraindo investimentos. Esse fenômeno descentraliza o desenvolvimento, gera competitividade saudável e cria um cenário em que o crescimento de uma cidade beneficia todo o entorno. O futuro do Sertão paraibano, se bem planejado, será marcado por essa rede de forças econômicas interligadas, em que o sucesso de um município não ameaça, mas potencializa o avanço dos demais.

Radar Sertanejo

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