Intensidade do próximo El Niño segue indefinida, diz especialista

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Para esclarecer o cenário atual, nossa reportagem conversou com exclusividade com o físico, meteorologista e consultor do agronegócio, Dr. Rodrigo Cézar Lameira, mestre em Meteorologia e doutor em Física

A possível formação de um novo episódio do fenômeno climático El Niño tem gerado preocupação em diversos setores da economia mundial e brasileira, especialmente no agronegócio. Ao mesmo tempo, o tema tem sido alvo de especulações e previsões alarmistas que circulam nas redes sociais, muitas delas sem respaldo científico.

Para esclarecer o cenário atual, nossa reportagem conversou com exclusividade com o físico, meteorologista e consultor do agronegócio, Dr. Rodrigo Cézar Lameira, mestre em Meteorologia e doutor em Física. Segundo o especialista, ainda é cedo para determinar a real intensidade do próximo evento climático.

De acordo com o meteorologista, embora existam sinais de configuração de um novo El Niño, qualquer previsão definitiva sobre sua magnitude neste momento deve ser tratada com cautela.
"A intensidade de um fenômeno que ainda está em fase de desenvolvimento é uma incógnita para todos nós. A ciência trabalha com monitoramento contínuo e atualização constante dos dados", destacou.

Durante a entrevista, o especialista também desmentiu uma das informações mais compartilhadas recentemente nas redes sociais: a existência de um suposto El Niño extremamente devastador ocorrido entre 1877 e 1879.
Segundo ele, não há base científica sólida para sustentar comparações desse tipo.

"É importante destacar que, naquela época, nem sequer existia monitoramento sistemático das condições oceânicas e atmosféricas. O acompanhamento oficial dos eventos de El Niño começou apenas na segunda metade do século XX", explicou.

O meteorologista ressalta que utilizar eventos anteriores ao período de observação moderna para projetar cenários atuais pode gerar interpretações equivocadas e contribuir para a disseminação de desinformação.

Quando questionado sobre os episódios mais intensos já registrados pela ciência, Dr. Rodrigo apontou o evento de 1997-1998 como o mais forte desde o início dos registros modernos.
O auge daquele fenômeno ocorreu em janeiro de 1998, quando a chamada Região Niño 3.4 — área localizada no centro do Oceano Pacífico Equatorial e considerada referência global para monitoramento do fenômeno — apresentou anomalias térmicas extremamente elevadas.

"Naquele período, a região registrou cerca de 4,8°C acima da média climatológica, um valor excepcional que caracteriza o maior Super El Niño já observado", afirmou.

Ranking dos El Niños mais intensos já registrados
Com base nos registros científicos acumulados desde 1950, o especialista apresentou a classificação dos quatro eventos mais intensos da era moderna:

1º lugar: El Niño 1997-1998 – o mais forte já registrado;

2º lugar: El Niño 2015-2016 – segundo maior em intensidade;

3º lugar: El Niño 1982-1983 – terceiro evento mais intenso observado;

4º lugar: El Niño 2023-2024 – fecha a lista dos quatro maiores episódios já monitorados.

Para o consultor do agronegócio, a principal recomendação para produtores rurais, empresários e gestores é evitar decisões baseadas em conteúdos sensacionalistas disseminados na internet.
Segundo ele, previsões sem embasamento técnico podem provocar insegurança no mercado e prejudicar o planejamento de atividades econômicas importantes, especialmente no setor agrícola.

"O monitoramento científico contínuo e a consulta a boletins oficiais são as ferramentas mais seguras para avaliar riscos e tomar decisões estratégicas", concluiu.

Enquanto os modelos climáticos seguem acompanhando a evolução das condições no Oceano Pacífico, especialistas reforçam que ainda não há elementos suficientes para afirmar que o próximo El Niño será um evento extremo. Até lá, a orientação é acompanhar as atualizações emitidas por instituições meteorológicas e profissionais qualificados, evitando conclusões precipitadas e informações sem comprovação científica.

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