São José da Lagoa Tapada mantém viva a herança dos engenhos e da cana-de-açúcar

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Durante muito tempo, o município contou com cerca de mais de dez engenhos em plena linha de produção, movimentando famílias

São José da Lagoa Tapada, no sertão paraibano, carrega em sua memória a força do trabalho, da tradição e da cultura popular. Entre os cheiros da cana moída, o calor dos fornos e o doce sabor da rapadura, nasceu uma das mais marcantes identidades do município: a produção artesanal de mel e rapadura, patrimônio vivo da história sertaneja.

Durante muito tempo, o município contou com cerca de mais de dez engenhos em plena linha de produção, movimentando famílias, fortalecendo a economia local e preservando saberes passados de geração em geração. Cada engenho guardava histórias de luta, resistência e dedicação ao trabalho da terra.

Entre os grandes produtores destacou-se José Almir de Souza, proprietário dos engenhos Mandioca, Sirino e Viração, tornando-se referência na produção regional. Na Fazenda Sanhauá, o engenho de Socorro Formiga simboliza a continuidade de um legado histórico iniciado ainda no período da escravidão, sendo reconhecido como um dos primeiros engenhos da região.

O engenho dos Coura ficou conhecido pela produção de uma rapadura pura e alva, admirada pela qualidade e tradição. Já o engenho de Zé de Juy destacava-se pelo grande volume de produção, assim como o engenho do Sítio Mirante, às margens do Rio Trapiá, pertencente à família Nogueira, importante símbolo da cultura canavieira do município.

Na Várzea dos Martins, Dedé Sousa mantém viva a tradição da moagem anual, preservando o trabalho artesanal que atravessa gerações. Assim como o engenho dos Dódó de Galdino é Ananias que ensinou o ofício a muitos mestres a cozinhar a rapadura. Atualmente, seguem firmes na produção o engenho de Aparecida, no Sítio Rocador, com treze anos de história; o engenho de Cristiano, no Sítio Mócó; e também o mel do mordorado produzido por Mundinho Abelha, como também o engenho do sítio Lagoa Tapada dos Simão que coloca São José da Lagoa Tapada em destaque na produção de mel e rapadura.

A força da apicultura também se manifesta através da Casa do Mel dos Apicultores de São José da Lagoa Tapada, símbolo da organização e valorização dos produtores locais.

Guardião da memória e da tradição dos engenhos, Bitonho representa o saber popular sertanejo. Mestre na construção dos bueiros que alimentam o fogo e especialista no ponto certo da rapadura e do mel, ele carrega consigo conhecimentos que fazem parte da identidade cultural do município. Como dizem os antigos trabalhadores dos engenhos: “sem Bitonho, nem o fogo nem o mel ficam no ponto”.

Assim, São José da Lagoa Tapada segue preservando suas raízes, mantendo viva a cultura dos engenhos, da rapadura e do mel, heranças que fazem da cidade uma terra de encantos, memória e tradição sertaneja.

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